Porquê votar no Bloco de Esquerda?
Anda por aí mais de meio mundo a achar, que a coisa se resume a dois partidos: PS e PSD, sendo que o emplastro do CDS-PP também acompanha alguns raciocínios menos ágeis. É claro que os media, principalmente a TV e os seus comentadores, promovem esta bi (tri) polarização legislativa e não é fácil a qualquer um libertar-se deste jugo opressivo.
Anda por aí mais de meio mundo a achar então que só vale a pena votar em quem poderá governar e logo aí, descartam o Bloco e a CDU e claro está, os outros 12 partidos que também concorrem nestas eleições. Só não consegui ainda entender porque raio não descartam também o CDS-PP, mas deve ser porque o emplastro dará jeito, caso quem for para o Governo não tenha maioria absoluta e se verifique a necessidade de uma coligação. Porque todos sabemos, que com PS ou PSD, o que Portas quer é governar e com efeito, até tem razão, já que seja com Sócrates ou Passos Coelho a diferença não será relevante.
Pois eu acho que importa votar em quem melhor represente os meus interesses. Em quem melhor defenda as minhas convicções. Em quem partilhe dos meus ideais. Não me vou vender por menos. O meu voto só é útil se o for para mim.
E o que tantos se parecem esquecer, até os mais esclarecidos, é que ao descartarem os outros partidos (aqueles que acham que não podem governar), estão a diminuir a representatividade que poderiam ter. Diminuir a pluralidade política e alternar, não só no Governo, mas também na Assembleia da República, entre somente dois partidos, é aniquilar qualquer réstia de democracia e é rumarmos, ordeira e compassadamente, em direcção a um novo regime ditatorial. É que mesmo não governando, toda a representatividade é importante e os partidos pequenos sempre vão alcançando algumas importantes vitórias.
Destaco aqui apenas algumas dessas vitórias alcançadas pelo Bloco de Esquerda durante a sua actividade parlamentar. Se o Bloco não estivesse lá, nada disto teria sido possível. Pelo que fizeram e pelo que defendem para o futuro eu voto Bloco de Esquerda.
- A obrigatoriedade da indicação do preço de venda ao público (PVP) na rotulagem dos medicamentos. Foi o Bloco.
- O processo de orçamentação de Base Zero para o ano de 2012. Foi o Bloco.
- O programa faseado de distribuição gratuita e criação de bolsas de empréstimo de manuais escolares na escolaridade obrigatória. Foi o Bloco.
- A redução das subvenções públicas e dos limites máximos dos gastos nas campanhas eleitorais. Foi o Bloco.
- A publicidade das declarações de rendimento dos Titulares de Cargos Políticos e Públicos. Foi o Bloco.
- A utilização de formatos electrónicos livres na administração pública. Foi o Bloco.
- A alteração do Código do Registo Civil, permitindo a pessoas transexuais a mudança do registo do sexo no assento de nascimento. Foi o Bloco.
- O regime laboral e de certificação e qualificação dos profissionais das artes do espectáculo e do audiovisual. Foi o Bloco.
- O regime social de segurança social dos profissionais das artes do espectáculo. Foi o Bloco.
- A alteração do Código Penal, aditando o “Crime Urbanístico”. Foi o Bloco.
- A isenção do pagamento de taxas moderadores pelos portadores de diversas doenças crónicas (Doença Inflamatória do Intestino ‐ DII Colite Ulcerosa e Doença de Crohn; Psoríase, Epilepsia). Foi o Bloco.
- A revogação da Lei que criava taxas moderadoras para o acesso à cirurgia de ambulatório e ao internamento, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Poderão consultá-las todas aqui
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7 comentários:
O Bloco faz falta, muita falta.
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Muito bem.
Concordo com tudo o que dizes, simpatizo com o Bloco mas o meu voto vai para a CDU!
Mas faço votos também por um bom resultado do Bloco!
Juntos, um dia venceremos!
Maria João
“E o que tantos se parecem esquecer, até os mais esclarecidos, é que ao descartarem os outros partidos (aqueles que acham que não podem governar), estão a diminuir a representatividade que poderiam ter. ”
Discordo. Um partido que nunca se coliga, que foge da governação, não conseguirá nunca colocar os seus ideais em prática. É irrelevante quais são esses ideais, e se reflectem o meus valores fundamentais, porque são imaginários, porque nunca sairão da condição de ideais, e nunca se concretizarão. Votar BE ou CDU pode pacificar a mente, mas bem vistas as coisas só serve para isso, tendo nulo efeito ou efeito marginal na acção governativa.
Os partidos não coligáveis deviam desaparecer, por redução de votação ou por mudança de atitude. O resultado do BE de hoje revela que uma das duas opções vai acontecer; resta saber qual, sendo que a escolha está dentro do próprio bloco. Quando desaparecerem, então a representatividade vai *subir*, porque podem dar lugar a partidos que não só reflictam os meus valores, como consigam tracção para os colocar no terreno. Daí a minha discordância com essa frase fundamental do teu texto.
Tudo o que o Bloco e a CDU conseguiram, mesmo não estando no Governo, a mim, representou-me.
Os ideias são tudo menos irrelevantes. São aliás o mais importante.
Claro que isso não será assim, para quem defende ditaduras. Se calhar devias ir viver para uma. Aqui por enquanto ainda vivemos em democracia.
Qualquer coligação pós-eleitoral é uma fraude e uma traição aos eleitores dos partidos que se se coligarem. É suposto que os deputados eleitos por cada partido defendam as propostas do seu programa eleitoral, não fazendo trocas nem cedências com o objectivo de conseguir seja o que for. Os acordos fazem-se pontualmente, medida a medida, e sempre de acordo com o programa de cada partido — devem votar-se afirmativamente as propostas que vão no sentido desse programa e contra as contrárias ao seu espírito.
Se os deputados de todos os partidos se comportassem assim, em vez de votar cada proposta atendendo apenas a qual o partido que a colocou ou fazendo coligações para poder ter um ou dois ministros, a política teria uma credibilidade bem maior.
Ouvi duas vezes na televisão velhotas a dizer “PS até morrer!” e “PSD até morrer!”. O pior é que esses votos contam tanto como os de gente informada. Também conheci uma rapariga da minha idade que disse que ia votar PSD. Porquê? Porque o pai tem um tacho na junta, e ela um dia também vai ter. Não podemos baixar os braços face a estas parvoíces.
Sérgio: Neste post está uma lista de todas as coisas que o Bloco fez apesar de não estar no governo. Não sei como é que pode dizer que esses deputados não têm impacto.
Se alternamos entre governos de dois partidos que são iguais em imensos aspectos, efectivamente vivemos há dezenas de anos numa ditadura do grande partido que é PS-PSD.
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