Maracujá! » Sandra http://maracujah.net Sítio web pessoal de António Manuel Dias e família Sat, 16 Aug 2014 16:10:25 +0000 pt-PT hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.0 Hoje regressei aos meus treze anos. E não gostei. http://maracujah.net/artigos/1850 http://maracujah.net/artigos/1850#comments Thu, 10 May 2012 00:20:18 +0000 http://maracujah.net/?p=1850 Hoje senti-me de novo como se tivesse 13 ou 14 anos. Foi com esta idade que fui a Lisboa, pela primeira vez completamente sozinha. Sei que fui tratar de burocracia, mas não me consigo lembrar do quê. Lembro-me que ia ansiosa, nervosa, expectante e lembro-me que ao sair do barco no Terreiro do Paço me sentia tonta e apreensiva. O espaço era grande, com muito trânsito e muitas pessoas de passo apressado que se moviam em todas as direcções. Fiquei com dores de cabeça. Mas o que mais me chocou foram os dois homens, de roupas esfarrapadas, pele encardida, garrafa de vinho a jeito e que se quedavam sentados no chão ao lado de grandes sacos de plástico cheios de farrapos tão nauseabundos quanto os que traziam vestidos. Estavam debaixo das arcadas do Terreiro do Paço e lembro-me de ter ficado horrorizada. Era a primeira vez que via, assim ao vivo, pessoas sem-abrigo.

Hoje, essa sensação de choque e horror regressou e tenho agora a sensação que fiz o mesmo de há mais de 25 anos atrás. Não consegui deixar de os fitar e de os observar sem qualquer reserva, esquecendo-me das boas maneiras que os meus pais tanto se esforçaram por me inculcar. Foi na estação do Oriente. Contei 34. Mas existiam muitos mais cobertores estendidos, papelões e sacos ou malas que não tinham por perto o seu proprietário. Ainda não eram dez da noite e certamente iriam chegar mais. Um tinha um carrinho de compras para transportar os seus haveres. Outros  tinham sacos de desporto, mochilas de campismo ou mesmo malas de viagens daquelas com rodinhas. A maior parte teria entre os 30 e os 50 anos. Havia alguns mais novos. Algumas mulheres também. Alguns tinham telemóveis e phones nos ouvidos. Nenhum tinha uma garrafa de vinho por perto ou pelo menos visível. As roupas não estavam em farrapos e a pele não estava encardida. Mas o olhar era o mesmo. Um olhar sem esperança, sem vida. Gasto, velho, apagado, apático, resignado.

E tive vontade de chorar. Outra vez.

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Karma’s a bitch ou deitaram-me mau olhado! http://maracujah.net/artigos/1832 http://maracujah.net/artigos/1832#comments Thu, 29 Mar 2012 02:53:46 +0000 http://maracujah.net/?p=1832 16 Março: Vanglorio-me, no Porto, perante um grupo de entrevistadas dizendo que nada me pega, que tenho um sistema imunitário do melhor, que nunca estou doente e que não tenho medo de nada.

21 Março: Violentas dores musculares, febre moderada e garganta inflamada

25 Março: Depois de muito paracetamol, passam as dores musculares, depois a febre, mas fica a garganta inflamada

26 Março: Às 19hoo parece-me que sinto uma bola no olho esquerdo. Faz uma impressão terrível e pouco depois começa a doer. Mais tarde – o olho esquerdo primeiro e depois o direito – começam a deitar uma pasta viscosa e amarela. Assim mesmo aos pedaços.  Nojo.

27 Março: Acordo mas não abro os olhos. Estão colados. Lavo com água fresca, descolo as pestanas mas o olho esquerdo continua a não abrir. Está inchado. Toda a cara está inchada. Fujo do espelho. Ao fim do dia o inchaço diminuiu e as secreções rareiam. Estou melhor! Finalmente!

28 Março: Umas horas antes de ir para a cama sinto uma certa ‘pressão’ nos ouvidos mas penso que pode ser só ‘impressão’ minha. Vou para a cama. Sinto um frio horrível, tapo-me com tudo e mais alguma coisa e mesmo assim não me ocorre que possa estar com febre. No comments. Duas horas depois acordo e penso que morri e afinal o inferno existe. O ouvido esquerdo parecia prestes a explodir. Gemi, queixei-me, chorei, solucei, desesperei sem o menor pingo de valentia. Nem de vergonha.

Depois de um dia inteiro no hospital soube que tive uma virose (what else?) que como primeira consequência originou uma infecção ocular (o inchaço melhorou mas ainda parece que fumei uns vinte charros de seguida) e como segunda consequência originou uma:  “Xi!! Nossa, çê tá com uma baita de uma otiti”, transcrição literal da médica que me atendeu.

Karma, I’m not upset. Come on… I won’t hurt you. Everything’s fine. Really.

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De pequenin@ se treinam as revoltas http://maracujah.net/artigos/1821 http://maracujah.net/artigos/1821#comments Sat, 25 Feb 2012 17:00:06 +0000 http://maracujah.net/?p=1821 Este é um texto – corrigido – que a minha filha de treze anos escreveu num teste de Português. Era pedido aos alunos que escrevessem uma página de um diário onde reflectissem sobre o estado do mundo actual (a nível social, económico e de valores), referindo o papel dos jovens como fundamental para uma mudança de rumo.

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Queridos menin@s do mundo

Temo pelo fim do mundo, o último dia em que estes seres miseráveis verão a face da terra, o dia em que acabará este horroroso sofrimento.

As famílias outrora com um bom modo de vida e com dinheiro para poderem ‘gozar’ a vida à vontade, passaram a ter cada vez menos ordenado, menos subsídios, logo, menos dinheiro. Deixaram de poder comprar coisas o que prejudica por sua vez outras pessoas que também necessitam de dinheiro para viver. Passaram todos a ter piores condições de vida. Esforçam-se, fazem tudo por tudo para terem condições razoáveis para viver e ainda vem o senhor Passos Coelho dizer que os Portugueses são piegas! Piegas é a tua tia! E enquanto os Portugueses estão a empobrecer, estão os ministros, os presidentes e os directores dos grandes bancos a enriquecer até mais não!

Agora, temos que nos aguentar pois grande parte da população vota nos partidos de direita, os que fazem sempre a mesma merda no governo. As pessoas não aprendem! É sempre PS, PSD, PS, PSD. A verdade é que a única diferença está no ‘D’. Se as pessoas votassem nos partidos de esquerda que têm boas medidas para aplicar e sair da crise, veriam que o país não se estaria a fundar.

Revoltem-se Porra! Se não estão contentes com a situação do país, saiam à rua, percam três horas das vinte e quatro do dia e manifestem-se. O povo unido jamais será vencido!  Volto a repetir: o povo unido jamais será vencido, jamais!

Acho que agora, a única solução para o futuro serão os jovens. Os jovens poderão fazer do país, um melhor país. O que está a acontecer neste momento com a Grécia, Portugal e Espanha serve de abre olhos e peço, por favor, não os fechem! Menin@s do Mundo, o futuro das novas gerações pode ser um paraíso, se se revoltarem. E o futuro, depende de nós, os jovens…

Podia continuar a descrever a situação que estamos a passar mas não o vou fazer, pois é vosso dever interessarem-se pelo assunto e aproveito para dizer que se vissem as notícias, talvez, talvez isto tudo não tinha acontecido e as nossas vidas poderiam agora ser vividas com mais facilidade…

Quase que parece que voltámos ao tempo de Salazar. Só existem duas diferenças: É que o ‘parvalhão’ do Cavaco Silva foi eleito pelo povo e as pessoas não se revoltam como fizeram no 25 de Abril. Sinceramente, acho que a revolta vai demorar a acontecer visto que neste momento deves estar sentad@ no sofá a ver os ‘Simpsons’ e não as notícias e a informar-te sobre a situação do país.

Ainda assim, beijos de esperança da jovem lutadora Alexandra

PS: Espero que o que foi dito possa fazer alguma diferença e que meditem sobre o assunto.

Vanessa Alexandra, 13 anos, 13 Fevereiro 2012

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Sobre responsabilidade social e jornalistas http://maracujah.net/artigos/1785 http://maracujah.net/artigos/1785#comments Tue, 31 Jan 2012 10:23:01 +0000 http://maracujah.net/?p=1785 Assisti no dia 27 de Janeiro à Conferência “European Left – Achievments, failures and challenges” organizada pelo ISCTE-IUL em Lisboa. Após o painel em que intervieram representantes dos vários partidos políticos da Esquerda Portuguesa, houve lugar aos comentários da conceituada jornalista São José Almeida do jornal Público. Fiquei surpreendida com o teor das suas afirmações. Passo a explicar.

Cara São José Almeida, bem sei que frases feitas e populismos são poderosamente apelativos e convenhamos que é até difícil fugir a eles, que tão subrepticiamente se nos insinuam e alojam nos meandros dos nossos cérebros. E os jornalistas são primeiro que tudo seres humanos e não fogem a estas regras do Universo. Mas um jornalista, pela responsabilidade que decorre da sua profissão, tem o dever e deve ter o zelo de combater esses populismos, esses mitos sociais e a desinformação que deles decorre. Tem a responsabilidade acrescida de conhecer a política do seu país, os seus intervenientes e as ideias que cada um defende. Só assim poderá desempenhar eficientemente a sua profissão que é, no essencial, informar os cidadãos e apresentar-lhes os factos de forma isenta.

Por isso e porque sei que defende que “a pujança de uma democracia assenta, em grande parte, no papel de consciência crítica que o jornalismo representa” me surpreendeu que caísse no erro, ainda que num ambiente controlado como o da Academia, de reforçar os populismos que poluem o panorama político e social do país, que afastam os cidadãos da política, que desencantam, desalentam e se vão sedimentando e crescendo como um cancro que corrói o exercício da cidadania e mina a pujança da democracia. Surpreendeu-me ouvi-la dizer que o país está na situação em que está também porque a Esquerda não apresenta ou não apresentou alternativas à Troika e ao FMI.

Que o cidadão comum desconheça os programas políticos de cada partido, as ideias e propostas que defendem ou as iniciativas que apresentam na Assembleia da República é, infelizmente, explicável e até desculpável. Que uma conceituada jornalista de um conceituado jornal nacional alegue esse desconhecimento é ridículo.

Quanto aos outros, que falem por si. Mas no que diz respeito ao Bloco de Esquerda relembro-a, cara São José Almeida, da proposta da auditoria e da renegociação da dívida, heresia das heresias há um ano mas que agora enche a boca dos mais (in)suspeitos. Relembro a taxação das grandes fortunas, da banca e das mais valias urbanísticas, a criação de investimento público para estimular a criação de emprego e consequentemente o crescimento da economia. Relembro ainda o imposto sobre o património imobiliário, o imposto solidário, a renegociação das parcerias público-privadas, a tributação das transferências para as offshore ou os programas de reabilitação urbana, de apoio à terceira idade e de reconversão energética para a criação de emprego. Estas são apenas algumas das propostas do Bloco alternativas à austeridade e à política que está a afundar o país. Estou certa que a São José Almeida não terá qualquer dificuldade em aceder de forma privilegiada a todas as propostas do Bloco de Esquerda. Bem como, aliás, às de qualquer outro partido.

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O dono do restaurante, o contabilista e a senhora da loja de roupas http://maracujah.net/artigos/1764 http://maracujah.net/artigos/1764#comments Mon, 23 Jan 2012 22:39:30 +0000 http://maracujah.net/?p=1764 Então canta mais ou menos assim o anúncio da Comercial: “Ia eu a caminho da Tranquilidade quando passo pelo café do Sr. Amílcar (nome inventado agorinha mesmo mas que não interessa nada para a história) e vejo um letreiro na porta a dizer: ‘volto já’. Mais abaixo vejo o mesmo letreiro na loja de roupa, no restaurante e no gabinete de contabilidade. Que estranho, pensei… Quando cheguei à Tranquilidade percebi logo tudo. Lá estava o senhor Amílcar do café, a senhora da loja de roupas, o dono do restaurante e o contabilista”.

Pago um café a quem adivinhar o que está mal neste anúncio. Esqueçam. Não aguento e tenho de revelar já. O que está mal é O senhor do café, O dono do restaurante, O contabilista e A senhora da loja de roupas. Claro, porque Os contabilistas ou Os donos de cafés ou restaurantes são «naturalmente» homens e as mulheres que se reduzam à sua insignificância de senhoras da loja de roupa. Provavelmente até pensaram numa empregada e não na dona da loja.

Não vou aqui agora argumentar que a coisa é propositada. Acredito sinceramente que não seja. Mas é precisamente isso que torna tudo muito mais grave. É que é algo «natural». Seria menos natural se ele tivesse dito A dona do restaurante, A contabilista e O senhor da loja de roupa. E fico fula por quotidianamente me deparar com exemplos completamente banais e insignificantes que me mostram insistentemente que ainda vivo numa sociedade machista. Porra!

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Eram sete, faziam muito barulho e bebiam por palhinhas. http://maracujah.net/artigos/1748 http://maracujah.net/artigos/1748#comments Sat, 14 Jan 2012 12:49:19 +0000 http://maracujah.net/?p=1748

Eram sete à mesa de uma pequena esplanada. Faziam muito barulho, como é normal nestas idades e bebiam por palhinhas enfiadas nas garrafas. Alguns divertiam-se a soprar pelas palhinhas e a fazer bolhinhas.

O mais novo teria entre 11 a 12 anos e o mais velho 15 ou 16. Na mesa estavam 18 garrafas, contei-as eu. Dezasseis Sagres minis e duas normais. Sim, cerveja.

Enquanto eu pagava ao balcão o meu caldo verde, o mais pequenito voltou para comprar mais cinco minis. Pediu com aquela voz de menino que ainda não mudou. A senhora por trás do balcão mandou-o esperar um pouco. Várias pessoas passaram pela cena e fingiram não ver. Eu não queria acreditar no que estava em frente dos meus olhos. Pensei que estivesse no meio de uma filmagem qualquer dos Morangos com Açúcar ou de qualquer outra série juvenil. Não estava.

Foi hoje, em Portalegre. Como não conheço lá nada nem tinha os contactos da polícia dirigi-me à brigada de trânsito e relatei o que tinha acabado de ver. Disseram que iam contactar de imediato a PSP mas não pareceram surpreendidos. Pelo menos, não tanto quanto eu. Perguntei-lhes se achavam normal que sete miúdos pré-adolescentes estivessem a beber cerveja à vista de todos (18 garrafas!). Responderam com um imperceptível aceno de cabeça ou encolher de ombros. Tão imperceptível que nem percebi bem o que foi. Disse-lhes que não achava nada normal e ainda achava menos normal que um estabelecimento comercial, “Cafetaria Aqcua”, estivesse a vender álcool a menores.

Voltaram a assegurar-me que a PSP iria lá de imediato. Contactaram-nos à minha frente. Perguntei se seria melhor eu ficar, testemunhar, deixar os meus contactos, algo. “Não, vá descansada que os colegas agora já lá vão. Muito obrigado e passe um bom dia”.

Pronto. Foi isto. Hoje em Portalegre, Portugal.

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Wishlist 2011 – em construção http://maracujah.net/artigos/1629 http://maracujah.net/artigos/1629#comments Tue, 09 Aug 2011 23:04:55 +0000 http://maracujah.net/?p=1629 USB Foot Pedal for Digital Transcription

Disco Externo (minúsculo!)

Carkit

Samsung Galaxy

Porta-moedas

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E assim se revela o carácter (ou a falta dele) do PM http://maracujah.net/artigos/1589 http://maracujah.net/artigos/1589#comments Sat, 25 Jun 2011 12:15:40 +0000 http://maracujah.net/?p=1589 Há dois dias foi noticiado por toda a imprensa portuguesa com o título “Passos Coelho viaja em económica para Bruxelas” que o novo PM e Governo, passarão doravante a viajar sempre em económica. Os jornais dão conta de uma poupança de 2.265 euros, nos cinco bilhetes emitidos, só nesta viagem. “Para dar o exemplo” diz PPC.

Pergunto-me qual exemplo. O da mentira? Da manipulação? Da falta de carácter? O da tentativa de fazer dos portugueses parvos?

É que afinal, havia outra! Outra história.

Como notícia hoje o Público, “os membros do Governo não pagam bilhete na TAP quando viajam em serviço e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, não poupou dinheiro ao Estado com a sua opção de viajar esta semana para Bruxelas em classe económica.

Todos os membros do Governo, do primeiro-ministro aos secretários de Estado, estão isentos de pagamento das viagens em serviço na TAP (tal como acontece também na CP). No entanto, isso já não acontece com os membros dos seus gabinetes, cujos bilhetes são pagos, mas que normalmente já viajavam em económica. Se houver necessidade de membros do Governo viajarem noutras companhias aéreas, a nova política de Passos Coelho já levará a poupança de verbas.

Na quinta-feira, Passos Coelhos confirmou que ele próprio e todos os restantes membros do Governo viajarão para a Europa sempre em classe económica, para “dar o exemplo”, conforme disse na altura à agência Lusa, cumprindo assim uma promessa que tinha feito antes das eleições.”

Notícia aqui

Não questiono a opção de viajar em económica (acho muito bem) ou executiva ou a nado. O que questiono e condeno é a estratégia de (querer) passar uma imagem de rectidão e de honestidade quando sabem perfeitamente que é falsa a poupança de dinheiro, já que o Governo não paga bilhetes na TAP quer seja em económica ou executiva. Muito feio, Sr. Pedro Passos Coelho. Muito feio mesmo.

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Porquê votar no Bloco de Esquerda? http://maracujah.net/artigos/1579 http://maracujah.net/artigos/1579#comments Fri, 03 Jun 2011 00:53:05 +0000 http://maracujah.net/?p=1579 Anda por aí mais de meio mundo a achar, que a coisa se resume a dois partidos: PS e PSD, sendo que o emplastro do CDS-PP também acompanha alguns raciocínios menos ágeis. É claro que os media, principalmente a TV e os seus comentadores, promovem esta bi (tri) polarização legislativa e não é fácil a qualquer um libertar-se deste jugo opressivo.

Anda por aí mais de meio mundo a achar então que só vale a pena votar em quem poderá governar e logo aí, descartam o Bloco e a CDU e claro está, os outros 12 partidos que também concorrem nestas eleições. Só não consegui ainda entender porque raio não descartam também o CDS-PP, mas deve ser porque o emplastro dará jeito, caso quem for para o Governo não tenha maioria absoluta e se verifique a necessidade de uma coligação. Porque todos sabemos, que com PS ou PSD, o que Portas quer é governar e com efeito, até tem razão, já que seja com Sócrates ou Passos Coelho a diferença não será relevante.

Pois eu acho que importa votar em quem melhor represente os meus interesses. Em quem melhor defenda as minhas convicções. Em quem partilhe dos meus ideais. Não me vou vender por menos. O meu voto só é útil se o for para mim.

E o que tantos se parecem esquecer, até os mais esclarecidos, é que ao descartarem os outros partidos (aqueles que acham que não podem governar), estão a diminuir a representatividade que poderiam ter. Diminuir a pluralidade política e alternar, não só no Governo, mas também na Assembleia da República, entre somente dois partidos, é aniquilar qualquer réstia de democracia e é rumarmos, ordeira e compassadamente, em direcção a um novo regime ditatorial. É que mesmo não governando, toda a representatividade é importante e os partidos pequenos sempre vão alcançando algumas importantes vitórias.

Destaco aqui apenas algumas dessas vitórias alcançadas pelo Bloco de Esquerda durante a sua actividade parlamentar. Se o Bloco não estivesse lá, nada disto teria sido possível. Pelo que fizeram e pelo que defendem para o futuro eu voto Bloco de Esquerda.

– A obrigatoriedade da indicação do preço de venda ao público (PVP) na rotulagem dos medicamentos. Foi o Bloco.

– O processo de orçamentação de Base Zero para o ano de 2012. Foi o Bloco.

– O programa faseado de distribuição gratuita e criação de bolsas de empréstimo de manuais escolares na escolaridade obrigatória. Foi o Bloco.

– A redução das subvenções públicas e dos limites máximos dos gastos nas campanhas eleitorais. Foi o Bloco.

– A publicidade das declarações de rendimento dos Titulares de Cargos Políticos e Públicos. Foi o Bloco.

– A utilização de formatos electrónicos livres na administração pública. Foi o Bloco.

– A alteração do Código do Registo Civil, permitindo a pessoas transexuais a mudança do registo do sexo no assento de nascimento. Foi o Bloco.

– O regime laboral e de certificação e qualificação dos profissionais das artes do espectáculo e do audiovisual. Foi o Bloco.

– O regime social de segurança social dos profissionais das artes do espectáculo. Foi o Bloco.

– A alteração do Código Penal, aditando o “Crime Urbanístico”. Foi o Bloco.

– A isenção do pagamento de taxas moderadores pelos portadores de diversas doenças crónicas (Doença Inflamatória do Intestino ‐ DII Colite Ulcerosa e Doença de Crohn; Psoríase, Epilepsia). Foi o Bloco.

– A revogação da Lei que criava taxas moderadoras para o acesso à cirurgia de ambulatório e ao internamento, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Poderão consultá-las todas aqui

e aqui

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Sobre o voto útil http://maracujah.net/artigos/1574 http://maracujah.net/artigos/1574#comments Thu, 02 Jun 2011 16:00:36 +0000 http://maracujah.net/?p=1574 Voto útil é aquele que é útil para quem o dá. Não para quem o recebe.

Voto útil é aquele que responde aos nossos ideais e às nossas mais profundas convicções.

Voto útil é aquele que exercemos e não nos deixa um amargo na boca.

Voto útil é aquele que consideramos ser o melhor para nós, para os nossos filhos, para o nosso país.

Para mim, o voto útil é no Bloco de Esquerda.

O Bloco de Esquerda sempre se bateu por ideais que partilho, pela defesa de um Estado Social forte e verdadeiramente universal, pela justiça social e fiscal, pela criação de emprego, pelo impulsionamento da economia, pela defesa das minorias, pela solidariedade (não caridade!).

O Bloco de Esquerda sempre lutou contra a corrupção, os interesses instalados, a fuga aos impostos, a precariedade, a pobreza e exclusão social, as discriminações, o desemprego, a austeridade, a recessão.

O Bloco de Esquerda apresenta um programa de alternativas viáveis à solução dos PS/PSD/CDS e Troika. Alternativas fundamentadas, com contas feitas onde está tudo explicadinho, preto no branco. São soluções exequíveis e da mais elementar justiça. É só verem o programa e as propostas.

Independentemente dos resultados das eleições e de quem for o próximo Governo, voto útil, para mim, é aquele que me permite ver os meus interesses representados e defendidos na Assembleia da República.

Voto útil é aquele que me defende, me protege e que me representa. E não aquele que serve os interesses de quem se tem esgrimido, durante tantos e tantos anos, por me destruir a vida, por aniquilar o futuro da minha filha, por me retirar qualquer esperança neste país.

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