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A presença de António, Sandra e Vanessa na web

Programas que surpreendem

Publicado em 20 de Junho de 2009 às 10:25 por
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A Sandra está a terminar uma pós-graduação, Análise de Dados para Ciências Sociais, em que é usado o SPSS, para Windows, como ferramenta de análise estatística.  A todos os alunos é fornecida uma cópia deste software e uma licença, com validade de um ano.

A Sandra tem usado o SPSS sobre uma máquina virtual (VirtualBox) com Windows XP instalado e, até esta quarta-feira, tudo tinha funcionado normalmente.  É verdade que há uns dias o programa tinha começado a avisar que a licença estava a expirar, mas continuava a funcionar e ela não tinha ainda tomado qualquer acção, por não ter tido tempo para contactar o departamento competente na universidade. Até que chega a casa, vinda de uma sessão de trabalho de grupo, e diz que o SPSS  simplesmente não abre.  Pensei que o problema fosse que a licença tinha finalmente expirado, mas não havia qualquer aviso — é normal que um programa diga qualquer coisa se a sua licença já não é válida.  Devia pois ser qualquer outra coisa, mas não estava a ver o quê.

Lembrei-me então que na noite anterior a tinha aconselhado a desligar o acesso à Internet da máquina vitrtual, já que ela só o usa para aceder à VPN da escola e não estava a ser necessário.  Fechámos a máquina virtual, activámos a sua placa de rede e reiniciámos o sistema e o programa novamente.  Surpresa: já funcionava.  Ou seja, o SPSS telefona para casa ao arrancar, não o conseguindo fazer sem isso.  O que é que ele diz para lá, não faço a mínima ideia — pode ser algo tão inócuo como se a licença de utilização ainda é válida, como pode transferir todas as bases de dados e testes feitos sobre elas.

É por isto que desconfio de todo o software em que o código-fonte não está disponível:  não podemos saber exactamente o que ele faz.

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5 comentários:

Em 20 de Junho de 2009 às 12:09, Pedro Diogo escreveu:

Isso não é nada de novo, no Técnico, consigo dar dois programas que funcionam da mesma maneira.

O Matlab e o Mathematica precisam de “telefonar para casa” para validarem a licença. De outra forma a coisa podia sair fora de controlo.

Agora, será que ia mesmo analisar o código fonte do programa antes de o utilizar?


Em 20 de Junho de 2009 às 13:12, António escreveu:

será que ia mesmo analisar o código fonte do programa antes de o utilizar?

Seria bastante difícil que uma coisa destas passasse assim, sem nenhum aviso para o utilizador, num programa onde o código estivesse disponível (e muito menos se fosse livre). Há vários programas livres que “telefonam para casa” em várias situações (o OpenOffice.org é um exemplo), mas sempre informando o utilizador e dando-lhe a opção de o não fazer.

Quando uma coisa desse tipo é descoberta num programa livre o que acontece é habitualmente algo do tipo:

(1) Quem descobre o programa faz qualquer coisa que não é suposto queixa-se, seja ao responsável pela manutenção do programa seja publicamente, para quem quiser ouvir.

(2) Os programadores retiram a “funcionalidade”.

(3) Se isso não acontecer, são possíveis dois cenários. Ou as pessoas deixam simplesmente de usar o programa ou alguém arregaça as mangas e faz um fork da aplicação que não telefone para casa.

O que quero dizer é que em programas de código aberto e, principalmente, em programas livres, geralmente não é necessário que um utilizador específico vá analisar o código para verificar que não existem problemas deste tipo. A possibilidade de isso acontecer (ou seja, de que estes problemas sejam detectados) é, usualmente, impeditivo suficiente para os colocar lá.


Em 20 de Junho de 2009 às 15:58, João Oliveira escreveu:

O código fonte é o segredo do negócio, ou também queres saber a receita dos pastéis de belem para meteres ao teu gosto?
Metam uma coisa na cabeça, os programadores também são gente e querem ganhar dinheiro como todas as pessoas, não vão distribuir o código fonte.
Como em tudo na vida, quando não se gosta não se usa e quando se é obrigado tal como tudo na vida somos obrigados.


Em 20 de Junho de 2009 às 18:27, António escreveu:

Há exemplos em que os programadores ganham dinheiro como todas as outras pessoas e distribuem o código fonte. O software deste servidor, bem como o do computador que estou a usar para escrever este comentário, são bons exemplos disso.

De qualquer forma, nada disso invalida o que disse: não podemos nunca saber exactamente o que faz um programa sem ter o código fonte disponível. Uns têm que se arriscar, porque o seu trabalho assim o exige; outros aceitam o risco conscientemente, pesando as vantagens e desvantagens; a maioria nem sabe os perigos que corre.


Em 21 de Junho de 2009 às 11:00, AirDiogo escreveu:

O SPSS é como o ET… “call home”.
Agora mais a sério acho sempre estranho os programas terem de se ligar e mais estranho ainda quando não apresentam razões para isso.
Ou quando simplesmente não funcionam sem ligar e não dissem que é apenas esse o problema.Um simples aviso “o SPSS não consegue ligar à internet e validar a licença”, por exemplo, seria o suficiente.
Quanto ao código aberto não tenho capacidade técnica para compreender o funcionamento mas sei que outros o fazem, e isso dá-me alguma segurança extra, pois sei que já houve algum “maluquinho” (termo afectuoso) que se deu ao trabalho de ir espreitar debaixo do capot e ver o que realmente faz.


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