Mini-howto: em quem votar
Publicado em 7 de Outubro de 2005 às 18:08 por António
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Quem ainda não decidiu em quem votar ou não costuma votar porque não é capaz
de decidir, pode consultar este
pequeno guia que
certamente dará uma ajuda. Votar é a forma de avaliar a prestação dos gerentes
da grande empresa de que somos, simultâneamente, sócios e clientes. Se nos
interessa o sucesso desta empresa, não nos devemos alhear desta oportunidade.
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5 comentários:
… Resta o BE (UDP+PSR+Política XXI), o POUS, PCTP/MRPP, MPT, PH e o PNR (provavelmente existem mais partidos, mas neste momento, não me lembro). Que ricas alternativas! Epá, desculpa lá, eu sei que tens simpatia pelo Bloco, mas entre a extrema-esquerda (comunas) e a extrema-direita (fachos), venha o diabo e escolha!… A história já provou que (ainda) não existe melhor alternativa ao actual sistema democrático. Tem os seus defeitos, claro. Mas, apesar de tudo, é muito melhor que a ditadura do “proletariado” ou que a ditadura militar. As únicas alternaticas credíveis em Portugal são o PS e o PSD. O resto são balelas. E em 30 anos de democracia, Portugal evoluiu bastante. Provavelmente muitos queriam que não houvesse 25 de Novembro e fossemos uma Albânia ou uma Cuba da Europa. Como dizem os putos hoje “DASSSSSSEEE!!”.
(Ou uma Coreia do Norte, esse grande exemplo de democracia, como lembrou o ex-líder da JCP e agora deputado pelo PCP, Bernardino Soares ….. LOL).
Vivemos numa democracia *tão* evoluída que as pessoas continuam a ter medo de assinar os comentários com o seu nome. Mas mesmo *tão* evoluída, que grupos de empresários fazem ultimatos ao governo (ver http://ocanhoto.blogspot.com/2005/10/ultimato-dos-patres.html) e exigem jantar com o primeiro ministro (ver http://ocanhoto.blogspot.com/2005/10/nascidos-para-mandar.html). E são levados a sério pelos nossos democráticos meios de comunicação social… LOL!
Meu caro António, “ultimatos”, lobbies e outro tipo de tentativas de influenciar os governos sempre houve e sempre haverá. Em todo o lado. Compete ao(s) governo(s) saber(em) gerir o equilíbrio e tirar proveito (ou não) da situação.
Independentemente disso, o Governo de Sócrates está a surpreender-me bastante pela positiva. Ao contrário de outros que apenas concordam em teoria com as actuais reformas, este Governo tem “cojones” para as pôr em prática. Finalmente, a crise toca a todos e não apenas ao “Zé Povinho”. Por isso, vemos médicos, advogados, magistrados, professores e outras corporações manifestarem-se tão violentamente. O Estado não pode gastar mais do que produz. Mais cedo ou mais tarde, paga-se caro. Não pode deixar de ser. Certos direitos “conquistados” durante o PREC são simplesmente ridículos, utópicos e incomportáveis para os cofres do Estado. Já nem falo em termos morais (por exemplo, porque é que um enfermeiro no público tem o direito de se reformar aos 60 anos e o do privado apenas aos 65? Mas não é a mesma profissão?!). Os actuais e numerosos subsistemas de saúde (e não só) da função pública são discriminatórios e insustentáveis para a nossa economia. Ao contrário do que certos sindicalistas afirmam, ninguém está a pôr em causa os direitos básicos e fundamentais como o acesso à educação, à saúde e à justiça. Quem não pode, o Estado deve ajudar. Mas para poder ajudar quem mais precisa, tem de haver disciplina e coerência nos gastos públicos. Tem de haver responsabilidade e uma mudança de mentalidades herdada do PREC onde o Estado é uma entidade utópica que pode pagar/sustentar tudo e a todos.
Antes de mais, ola’ a todos e desculpem a falta de acentos, mas estou escrevendo num teclado americano.
Sem duvida, a lavagem ao cerebro que este governo tem aplicado e’ eficaz, ao ponto de haver quem diga, como Lvsitania, que “Finalmente, a crise toda a todos e nao apenas ao ‘Ze Povinho’”. Porem, por exemplo, ninguem pode negar que a subida do IVA num sabonete afecta muitissimo mais os pobres do que os ricos. Ate’ me custa estar a escrever isto, por ser tao obvio. Mas parece que ‘as vezes e’ preciso mostrar o obvio. Mais um exemplo, pura matematica: uma pessoa tem uma reforma (ou salario) de miseria, que so’ lhe da’ para comer 30 dias por mes; se lhe reduzirem esse rendimento para metade so’ podera’ comer em 15 dias. Mas, por outro lado, se reduzirmos uma reforma milionaria para metade ficara’ apenas “meio-milionaria”. E’ isso a “crise que toca a todos”?
Outro aspecto em que a propaganda do governo tem sido eficaz e’ aquela historia da “coragem” para tomar medidas (tem os “cojones” que Lvsitania diz). Ora bem, so’ um exemplo, aquela propaganda a respeito dos previlegios dos politicos; coitados, o governo teve “coragem” para lhes cortar 2/3 da pensao quando em acululacao com outro salario (ou vice-versa). Porem, ha’ milhares de pessoas que gostariam de receber tanto quanto apenas aquele 1/3 que os tais politicos ainda recebem.
A crise toca a todos? Pode ser. Mas o que para uns e’ crise, para outros seria um sonho.
Aqui onde estou tambem ha’ crises e crises. A crise para uns impede-os de trocar de carro todos os anos; coitados, ja’ so’ podem trocar de dois em dois anos. A outros, a crise impede-os de comprar uma roupa nova e tomar um banhito todos os dias. Estes vi-os hoje nos transportes publicos de San Diego, California; os outros estavam jogando golfe atras dumas sebes, nos seus condominios e clubes. Pouco ou nada se misturam e pouco parece saberem das crises uns dos outros.
Em Portugal estamos mais esclarecidos, temos um governo para nos lavar o cerebro e uma comunicacao social telecomandada que nos esclarece que desta vez sim, finalmente toca a todos.
Tal como o Lusitânia e o nosso governo actual, eu também sou da opinião que o sistema de saúde e a reforma deveriam ser iguais para todos os servidores do estado (aliás, numa sociedade ideal eu sou mesmo contra a ideia de reforma, mas isso é outra história). Vou até mais além: penso que o sistema de saúde e reforma deveria ser igual para todos os portugueses, independentemente de serem ou não servidores do estado.
No entanto, convém não esquecer (e isso não tem o governo mencionado) que todos esses privilégios na saúde, aposentação e outros existem, basicamente, por uma única razão: os governos que os criaram fizeram as contas e chegaram à conclusão que saíam mais baratos aos cofres do estado do que pagar as devidas conpensações pela restrição de alguns direitos a esses trabalhadores. Por exemplo, sai mais barato comparticipar na compra de medicamentos do que pagar as horas extraordinárias às forças de segurança; é menos oneroso permitir a sua reforma antes dos 65 anos do que sujeitar-se à verdadeira negociação sindical, com direito a todas as formas de luta, como a greve. Portanto, o governo teria na verdade “cojones” se não parasse no igualizar de todos os direitos em termos de acesso à saúde e aposentação mas antes continuasse e tornasse todos os cidadãos iguais em termos de direitos e deveres perante o estado. Como não vai fazer isso, os “cojones” deste governo servem apenas para fazer com que os mesmos de sempre paguem a má gestão dos dinheiros públicos que se tem feito.
Mas estamos a afastar-nos do tema do artigo inicial, que era o conjunto de instruções para votar da autoria do Francisco Santos. Pelo que percebi, o Lusitânia acha que temos sido bem governados. Nesse caso deve seguir o ponto 3 das tais instruções e votar naqueles que nos têm governado nos últimos anos. O conjunto de instruções continua, por isso, perfeitamente válido.
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