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O papel da igreja

Publicado em 18 de Agosto de 2011 às 11:52 por
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A pergunta ao público num dos programas matinais dos nossos canais de notícias, provavelmente a propósito da visita do Papa a Madrid, era “Qual o papel da igreja nestes tempos de crise?”.  Não percebo a pergunta, porque não vejo o que têm estes tempos de crise de diferente do resto do tempo, no que concerne ao papel da igreja.  O papel da igreja, ou de qualquer religião organizada, tem sido sempre o mesmo, desde a sua invenção –  explorar a ignorância e crendice das pessoas.

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4 comentários:

Em 18 de Agosto de 2011 às 16:02, Nuno escreveu:

A tua resposta é um pouco simplória (para não dizer outra coisa), não achas? “explorar a ignorância e crendice das pessoas”. Professores universitários, médicos, cientistas, advogados, políticos, agricultores, intelectuais (esquerda e direita), comerciantes, técnicos de informática, enfermeiras, sociólogos, etc., etc., que são crentes são uma cambada de ignorantes, tontos, . Eu é que sou o esperto, o inteligente, o culto… Please, não me decepciones. Podemos pensar de maneira diferente, ter uma outra perspectiva em relação à religião (qualquer uma!), mas quando se começa a usar argumentos desse “calibre”, não vale a pena continuar. (Só estou a chamar-te a atenção porque sei que é mais inteligente do isso). Acima de tudo, respeito. A partir daí, já é possível debater.


Em 19 de Agosto de 2011 às 0:13, António escreveu:

Não há nenhum debate a fazer. Não é por contar com professores universitários, médicos, cientistas, etc., ou seja pessoas, por princípio, muito inteligentes entre os seus seguidores que a igreja (e qualquer religião organizada) deixa de se aproveitar da ignorância e crendice das pessoas. Não interessa quão inteligente se é, todos temos as nossas irracionalidades — faz parte de ser humano. Portanto, ser bastante inteligente não impede ninguém de ter atitudes irracionais, como acreditar num ser sobrenatural todo poderoso criador do universo e capaz de alterar pontualmente as suas leis apenas para satisfazer um desejo de um dos seus crentes. A religião limita-se a aproveitar-se disso em proveito próprio.


Em 19 de Agosto de 2011 às 0:37, David escreveu:

António

As tuas certezas colocam-te (presque) ao nível da divindade. Não tens medo? ;)


Em 19 de Agosto de 2011 às 14:09, António escreveu:

David, agora parecias o Papa a falar (“há muitos que, julgando-se deuses, pensam que não têm necessidade de outras raízes nem de outros alicerces para além de si mesmos”). Não percebi bem a que certezas te referes, se às certezas sobre o papel da religião se à certeza que a religião é uma mentira. De qualquer forma, não tenho medo porque sei que não sou uma divindade e as certezas que tenho resultam de factos e não de palavras escritas num livro por uma mão cheia de sacerdotes na palestina pré-império romano.

O papel da religião está bem presente ao longo da nossa história. Quanto a considerar a religião uma mentira resulta de uma simples dedução: (1) as religiões são mutuamente exclusivas — para se acreditar num modelo divino tem de se negar todos os outros; (2) não há nenhuma evidência (facto verificável) a suportar a existência do divino; (3) a explicação mais simples (neste caso, todas as religiões serem mentira, por oposição a apenas uma delas ser verdade) é normalmente a correcta. Mas podes ter a certeza: se um dia destes alguém conseguir provar a existência de deus, qualquer que ele seja, eu estarei na primeira fila para reconhecer publicamente a sua existência.


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